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Artigos | Artur Malheiros Porem

LUCAS DO RIO VERDE: UM BARCO À DERIVA.

05/07/2019 | 18:49 | Atualizado em 05/07/2019 | 18:56

O município de Lucas do Rio Verde está como um barco à deriva. Sem rumo, a gestão atual toma decisões e propõe diversos projetos sem o mínimo de planejamento, desconsiderando todos os princípios norteadores da economia, gestão e da política. E por falar em política, palavra de origem grega que designa a ciência de bem governar um povo, constituído em Estado, nunca esteve tão presente na boca e no sentimento do povo luverdense.

No início do mês de junho, muito se discutiu sobre investimentos na área de saneamento básico, como por exemplo, o projeto de universalização do sistema de esgoto que, orçado inicialmente em R$ 120 milhões de reais, traria esgoto e saneamento básico a toda a cidade. Essa discussão tomou força, aflorando todas as pessoas diretamente envolvidas, sejam os membros do Poder Executivo, Câmara de Vereadores e até mesmo membros da comunidade civil.

O atual Poder Executivo Municipal, propôs, neste mesmo período, um novo empréstimo em nome do Município - o segundo, só este ano -, visando investir a soma de R$ 34 milhões de reais na compra e manutenção de equipamentos, investimentos em esgoto, a compra de ônibus escolares e a construção de uma escola municipal. Ou seja, uma fração do valor seria alocada para a universalização do esgoto nos bairros. Pela ausência do debate e pelo exorbitante empréstimo proposto pela atual gestão, o então vereador Airton Callai (PRB) propôs uma audiência pública, que se realizou no dia 04 de junho, onde se discutiu o Substitutivo ao Projeto de Lei n. 34/2019, que buscou uma maior participação popular e uma melhor transparência nos números da negociação do Poder Executivo com os ofertantes de crédito, no caso a Caixa Econômica Federal.

Após os debates entre a população e os demais presentes na Audiência pública, diversas pessoas, em sua maioria empresários solidários a causa do atual prefeito, saíram em defesa do Projeto de Lei e do próprio atual gestor, advogando copiosamente em seu favor e da aprovação do empréstimo a ser realizado. De acordo com os empresários, o empréstimo possui planejamento e liquidez, mas na prática, além de mal elaborada, a proposta não traz nenhum benefício senão aquilo que quer mascarar: o cunho eleitoreiro.
Mas esta cruzada encabeçada pelo gestor atual está longe de acabar. Depois da acentuada pressão popular e dos grupos sociais organizados, o atual prefeito recebeu diversos vereadores no Paço Municipal no dia 25 de junho para propor novas alterações no valor do empréstimo solicitado, reduzindo o valor inicial de R$ 34 milhões para R$ 27,3 milhões de reais, aplicando estes recursos na ampliação da rede de esgoto e a criação de uma usina asfáltica, diferente da proposta inicial. Contrários a esta nova proposta, os vereadores argumentaram em uma nova redução dos valores do empréstimo, este último no valor de R$ 18 milhões.

A verdadeira impressão que deixa, ao recuar no Substitutivo do PL nº 34/2019, é que há uma clara demonstração de que a gestão da coisa pública atual vai de mal a pior, não atingindo seus objetivos iniciais e como resultado, acaba gerando temor e prejuízos à população que, na espera de uma tomada de decisão, fica à mercê do Poder Executivo.

A ausência de planejamento, somadas as inúmeras tentativas do Poder Executivo em buscar recursos deixando de levar em consideração o custo social que um empréstimo produz, não traz senão resultados negativos a forma que o atual prefeito tem gerido a coisa pública. Diversas soluções são possíveis no rol de opções para diminuir as despesas e dar fôlego as contas públicas. O exemplo mais claro é o do corte de gastos com a folha de pagamento que nos últimos 02 anos, aumentaram cerca de 30%. Se reduzidos, o resultado desta economia poderia gerar ânimo para novos investimentos.

O grande desafio do gestor, seja na iniciativa privada ou na coisa pública, é de realizar o máximo de coisas boas à comunidade ou à empresa, com o menor custo possível, analisando, debatendo, gerindo a coisa como deve ser e tomando a melhor decisão. Leva-se sempre em conta os riscos de uma má decisão, que poderá causar danos à saúde da organização como um todo.

Para concluir, o gestor atual -se coerente e racional-, poderá realizar medidas que a longo prazo não irão interferir negativamente na vida do cidadão luverdense, não repassando a conta àqueles que a duras penas, contribuem para uma cidade cada vez melhor. É sabido que, qualquer indivíduo é capaz de realizar empréstimos e onerar a coisa pública, sem maiores responsabilidades com os seus cidadãos e com o município, mas é virtude de um gestor municipal garantir a qualidade de vida de sua população, sem que isto custe a sua própria existência. E sem rumo e esperanças, só poderemos voltar ao caminho do crescimento com eficiência e um choque de gestão, palavras tão esquecidas no dicionário político luverdense nos últimos tempos.

Artur Malheiros Porém é advogado em Lucas do Rio Verde.

 
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