Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
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Artigos | Onofre Ribeiro

Start up político

04/07/2019 | 12:00

            Na semana passada fui convidado pelo amigo Junior Macgnan, do Partido Novo, pra uma conversa de ideias com membros do partido. Gratas surpresas. Uma delas: o partido funciona na casa onde morou meu querido e inesquecível amigo Domingos Iglesias Valerio, o homem que mais conhecia de rios e de águas em Mato Grosso.
            Outra grata surpresa: uma platéia de 30 pessoas, a maioria absoluta de jovens. A conversa foi sobre Cuiabá, seus cenários políticos e econômicos atuais e futuros. Traçamos um perfil de Cuiabá a partir do surgimento de Brasília, quando a cidade cortou os seus vínculos com o Rio de Janeiro,. Onde se formavam os jovens profissionais cuiabanos. Brasília trazia outra vertente do pensamento novo do Brasil. O pensamento político aos poucos sairia do litoral colonizado por europeus e se fixaria ao longo do tempo no coração do Brasil. A ideia dos que conceberam Brasília era a de que no centro do país nasceria aos poucos uma nova civilização brasileira, sem ranços externos e nem a cultura colonial que impregnava os litorâneos.
            Nossa conversa evoluiu por mais de duas horas com intenso debate. O mais curioso é o desejo dos jovens de compreenderem os cenários pra poderem interagir ao seu modo e ao seu tempo.
            Fechando os debates acabamos nos fixando num ponto central. Os partidos políticos brasileiros não são partidos. São empresas disfarçadas com interesses na política pra fins comerciais. A história recente está aí mostrando claramente.
            O futuro que se avizinha diante das transformações humanas, sociais, tecnológicas, culturais e políticas mudarão profundamente todos os comportamentos da humanidade. Logo, a política também mudará pra papeis hoje desconhecidos. Mas isso virá em prazo muito curto. Nesse caso, os partidos tradicionais vão enfrentar o seu inferno astral na medida em que não puderem gerar respostas aos novos anseios da nova sociedade.
            O que resta, então, a um partido como o Novo que foge dos figurinos existentes? Defendi com eles a tese de que não haverá outro caminho a não ser transformar o partido numa start-up de ideias visando o futuro. As start-ups estão revolucionando o mundo dos negócios justamente pela coragem de quebrar todas as rotinas atualmente existentes e lançar ideias revolucionárias.
            Considerando o corpo jovem dos membros do Partido Novo, é de se esperar uma revolução de ideias. O poder se alcança depois com a revolução das ideias nesse campo partidário tão empobrecido e tão instável da atualidade.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
onofreribeiro@onofreribeiro.com.br    www.onofreribeiro.com.br
 
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